Portuguese poem
Condão
Uns olhos me enfeitiçaram, Uns olhos... foram os teus. Falaram tanto de amores Embebidos sobre os meus!
Eram anjos que dormiam Dessas pálpebras à flor Nas convulsões palpitantes Dos alvos sonhos de amor.
Foi à noite... hora das fadas; Bem lhes sentira o condão; Mas refletiam tão puras Os sonhos do coração!
Como ao sol do meio-dia Dorme a onda à flor do mar, Eu dormi, — pobre insensato, Ao fogo do teu olhar...
Pobre, doida mariposa, Perdi-me... — pecados meus! Na chama que me atraía, No fogo dos olhos teus.
Venci protestos de outrora, Moirei no teu alcorão, E vim purgar nesses olhos Pecados do coração.
Pois bem hajam os teus olhos, Onde um tal condão achei: Doido inseto em torno à chama, Todo aí me queimarei.