Portuguese poem
Coração Perdido
Buscas debalde o meigo passarinho Que te fugiu; Como quer que isso foi, o coitadinho No brando ninho Já não dormiu.
O coitado abafava na gaiola, Faltava-lhe o ar; Como foge um menino de uma escola, O mariola Deitou-se a andar.
Demais, o pobrezito nem sustento Podia ter; Nesse triste e cruel recolhimento O simples vento Não é viver.
Não te arrepeles. Dá de mão ao pranto; Isso que tem? Eu sei que ele fazia o teu encanto; Mas chorar tanto Não te convém.
Nem vás agora armar ao bandoleiro Um alçapão; Passarinho que sendo prisioneiro Fugiu matreiro Não volta, não!