Portuguese poem
Erro
Erro é teu. Amei-te um dia Com esse amor passageiro Que nasce na phantasia E não chega ao coração; Nem foi amor, foi apenas Uma ligeira impressão; Um querer indifferente, Em tua presença, vivo, Morto, se estavas ausente, E se ora me vês esquivo, Se, como outr'ora, não vês Meus incensos de poeta Ir eu queimar a teus pés, É que,--como obra de um dia, Passou-me essa phantasia.
Para eu amar-te devias Outra ser e não como eras. Tuas frivolas chimeras, Teu vão amor de ti mesma, Essa pendula gelada Que chamavas coração, Eram bem fracos liames Para que a alma enamorada Me conseguissem prender; Foram baldados tentames, Saiu contra ti o azar, E embora pouca, perdeste A gloria de me arrastar Ao teu carro... Vãs chimeras! Para eu amar-te devias Outra ser e não como eras...