Versos Portuguese Machado de Assis Ela

Portuguese poem

Ela

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Versão 1

Seus olhos que brilham tanto, Que prendem tão doce encanto, Que prendem um casto amor Onde com rara belleza, Se esmerou a natureza Com meiguice e com primor. Suas faces purpurinas De rubras cores divinas De mago brilho e condão; Meigas faces que harmonia Inspira em doce poesia Ao meu terno coração! Sua boca meiga e breve, Onde um sorriso de leve Com doçura se deslisa, Ornando purpurea cor, Celestes labios de amor Que com neve se harmonisa. Com sua boca mimosa Solta voz harmoniosa Que inspira ardente paixão, Dos lábios de Cherubin Eu quisera ouvir um – sim – P’ra allivio do coração! Vem, ó anjo de candura, Fazer a dita, a ventura De minh'alma, sem vigor; Donzella, vem dar-lhe alento, Faz-lhe gozar teu portento, "Dá-lhe um suspiro de amor!" Assis (Transcrito conforme grafia da primeira publicação Na Marmota Fluminense, n. 539, p. 3, 12 de janeiro de 1855).

Versão 2

Seus olhos que brilham tanto, Que prendem tão doce encanto, Que prendem um casto amor Onde com rara beleza, Se esmerou a natureza Com meiguice e com primor.

Suas faces purpurinas De rubras cores divinas De mago brilho e condão; Meigas faces que harmonia Inspira em doce poesia Ao meu terno coração!

Sua boca meiga e breve, Onde um sorriso de leve Com doçura se desliza, Ornando purpúrea cor, Celestes lábios de amor Que com neve se harmoniza.

Com sua boca mimosa Solta voz harmoniosa Que inspira ardente paixão, Dos lábios de Querubim Eu quisera ouvir um — sim — Pr’a alívio do coração!

Vem, ó anjo de candura, Fazer a dita, a ventura De minh’alma, sem vigor; Donzela, vem dar-lhe alento, Faz-lhe gozar teu portento, “Dá-lhe um suspiro de amor!”

(Transcrito conforme grafia da segunda publicação em Poesias Dispersas).