Portuguese poem
Horas Vivas
Noite: abrem-se as flôres... Que esplendores! Cynthia sonha amores Pelo céu. Tenues os neblinas Ás campinas Descem das collinas, Como um véu.
Mãos em mãos travadas, Animadas, Vão aquellas fadas Pelo ar; Soltos os cabellos, Em novellos, Puros, louros, bellos, A voar.
--«Homem, nos teus dias Que agonias, Sonhos, utopias, Ambições; Vivas e fagueiras, As primeiras, Como as derradeiras Illusões!
--«Quantas, quantas vidas Vão perdidas Pombas mal feridas Pelo mal! Annos apoz annos, Tão insanos, Vem os desenganos Afinal.
--«Dorme: se os pesares Repousares, Vês?--por estes ares Vamos rir; Mortas, não; festivas, E lascivas, Somos--horas vivas De dormir--»