Versos Portuguese Machado de Assis I

Portuguese poem

I

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Era naquella doce e amavel hora Em que vem branqueando a alva celeste, Quando parece que remoça a vida E toda se espreguiça a natureza. Alva neblina que espalhara a noite Frouxamente nos ares se dissolve, Como de uns olhos tristes Foge co'o tempo a já ligeira sombra De consoladas maguas. Vida é tudo. E pompa e graça natural da terra, Mas que não seja no ermo, Onde seus olhos rutilos espraia Livres a aurora, sem tocar vestigios De obras caducas do homem, onde as aguas Do rio bebe a fugitiva corça, Vivo aroma nos ares se difunde, E aves, e aves de infinitas cores Voando vão e revoando tornam, Inda senhoras da amplidão que é sua, Donde as hade fugir o homem um dia Quando a agreste solidão entrar o passo Creador que derruba. Já de todo Nado era o sol; e á viva luz que innunda Estes meus patrios morros e estas praias, Sorrindo a terra moça Noiva parece que o virgineo seio Entrega ao beijo nupcial do amado. E hade os funebres véus lançar a morte Na verdura do campo? A natureza A nota vibrará da extrema angustia Neste festivo cantico de graças Ao sol que nasce, ao Creador que o envia, Como renovação de juventude?