Versos Portuguese Machado de Assis Iii

Portuguese poem

Iii

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«--Traze a minha lança, escravo, Que tanto peito abateu; Traze aqui o meu cavallo Que largos campos correu.»

«--Lança tens e tens cavallo Que meu velho pae te deu; Mas aonde te vás agora Onde vais, esposo meu?»

«--Vou-me á caça, junto á cova Onde a onça se metteu...» «--Montada no meu cavallo, Vou comtigo, esposo meu.»

«--Vou-me ás ribas do Escopil, Que a minha lança varreu...» «--Irei pelejar na guerra, A teu lado, esposo meu.»

«--Fica-te ahi na cabana Onde o meu amor nasceu.» «--Melhor não haver nascido Se já de todo morreu.»

E uma lagrima,--a primeira De muitas que ella verteu,-- Pela face cobreada Lenta, lenta lhe correu.

Enxugal-a, não a enxuga O esposo que já perdeu, Que elle no chão fita os olhos, Como que a voz lhe morreu.

Traz o escravo o seu cavallo Que o velho sogro lhe deu; Traz-lhe mais a sua lança Que tanto peito abateu.

Então, recobrando a alma, Que o remorso esmoreceu, Com esta dura palavra Á esposa lhe respondeu:

«--A bocayuva trez vezes No tronco amadureceu, Desde o dia em que o guerreiro Sua esposa recebeu.»

«Trez vezes! Amor sobejo Nossa vida toda encheu. Fastio me entrou no seio, Fastio que me perdeu.»

E pulando no cavallo, Sumiu-se... desapareceu... Pobre moça sem marido, Chora o amor que lhe morreu!