Portuguese poem
Iii
Entre esses figurava o moço Vasco. Vasco, a flôr dos vadios da cidade, Namorador dos adros das egrejas, Taful de cavalhadas, consummado Nas hippicas façanhas, era o nome Que mais na baila andava. Moça havia Que por elle trocara (erro do moça)! O seu logar no céu; e este peccado, Inda que todo interior e mudo, Dous terços lhe custou de penitencia Que o confessor lhe impoz. Era sabido Que nas salas da casa do governo, Certa noite, de magua desmaiaram Duas damas rivaes, porque o magano As cartas confundira do namoro. Estas proezas taes, que o fertil vulgo Com argumentos de casa encarecia, E a bem lançada perna, e o luzidio Dos sapatos, e as sedas e os velludos, E o franco applauso de uns, e a inveja do outros, O sceptro lhe doaram dos peraltas.