Portuguese poem
Ite, Missa Est
Fecha o missal do amor e a benção lança Á pia multidão Dos teus sonhos de moço e de criança, A benção do perdão. Sôa a hora fatal,--reza contricto As palavras do rito: Ite missa est.
Foi longo o sacrificio; o teu joelho De curvar-se cançou; E acaso sobre as folhas do Evangelho A tua alma chorou. Ninguem vio essas lagrimas (ai tantas!) Cair nas folhas santas. Ite missa est.
De olhos fitos no céu rezaste o credo, O credo do teu deus; Oração que devia, ou tarde ou cedo, Travar nos labios teus; Palavra que se esvai qual fumo escasso E some-se no espaço. Ite missa est.
Votaste ao céu, nas tuas mãos alçada, A hostia do perdão, A victima divina e profanada Que chamas coração. Quasi inteiras perdeste a alma e a vida Na hostia consumida. Ite missa est.
Pobre servo do altar de um deus esquivo, É tarde; beija a cruz; Na lampada em que ardia o fogo activo, Vê, já se extingue a luz. Cubra-te agora o rosto macilento O véu do esquecimento. Ite missa est.