Versos Portuguese Machado de Assis Iv

Portuguese poem

Iv

by

Listen in the reader

Da captiva gentil cerrados olhos Não se entreabrem á luz. Morta parece. Uma só contracção lhe não perturba A paz serena do mimoso rosto. Junto della, cruzados sobre o peito Os braços, Anagê contempla e espera; Soffrego espera, em quanto ideias negras Estão a revoar-lhe em torno e a encher-lhe A mente de projectos tenebrosos. Tal no cimo do velho Corcovado Proxima tempestade engloba as nuvens. Subito ao seio turgido e macio Anciosas mãos estende; inda palpita O coração, com desusada força, Como se a vida toda alli buscasse Refugio certo e ultimo. Impetuoso O vestido cristão lhe despedaça, E á luz já viva da manhã recente Contempla as nuas fórmas. Era acaso A syncope chegada ao termo proprio, Ou, no pejo offendida, ás mãos extranhas A desmaiada moça despertára. Potyra accorda, os olhos lança em torno, Fita, vê, comprehende, e inquieta busca Fugir do vencedor ás mãos e ao crime... Misera! opõe-se-lhe o irritado gesto Do asperrimo guerreiro; um ai lhe sobe Angustioso e triste aos labios tremulos, Sobe, murmura e suffocado expira. Na rede envolve o corpo, e, desviando Do terrivel tamoyo os lindos olhos, Entrecortada prece aos céus envia, E as faces banha de serenas lagrimas.