Portuguese poem
Iv
Angela ouvira as vozes da cidade, As vozes do furor. Já receiosa, Tremula, foge á alcova e se encaminha Á camera paterna. Ia transpondo A franqueada porta... e pára. O peito Rompe-lh'o quasi o coração,--tamanho É o palpitar, um palpitar de gosto, De sorpresa e de susto. Aquelles olhos, Aquella graça mascula do gesto, Graça e olhos são delle, o amado noivo, Que entre os mais homens elegeu sua alma Para o vínculo eterno... Sim, que a morte Póde arrancar ao seio humano o alento Ultimo e derradeiro; os que deveras Unidos foram, volverão unidos A mergulhar na eternidade. Estava Junto do velho pae o gentil moço, Elle todo agitado, o ancião sombrio, Calados ambos. A attitude de ambos, O mysterioso, gelido silencio, Mais que tudo, a presença nunca usada Daquelle homem ali, que mal a espreita De longe e a furto, nos instantes breves Em que lhe é dado vel-a, tudo á moça O animo abala e o coração enfia.