Portuguese poem
Iii
Quando voarem minhas esperanças, Como um bando de pombas fugitivas; E destas illusões doces e vivas Só me restarem pallidas lembranças;
E abandonar-me a minha mãe Quimera, Que me aleitou aos seios abundantes; E vierem as nuvens flammejantes Encher o céu da minha primavera;
E raiar para mim um triste dia, Em que, por completar minha tristeza, Nem possa ver-te, musa da belleza, Nem possa ouvir-te, musa da harmonia;
Quando assim seja, por teus olhos juro, Voto minh'alma á escura soledade, Sem procurar melhor felicidade, E sem ambicionar prazer mais puro,
Como o viajor que, de fallaz miragem Volta desenganado ao lar tranquillo, E procura, naquelle ultimo asylo, Nem evocar memorias da viagem;
Envolvido em mim mesmo, olhos cerrados A tudo mais,--a minha phantasia As asas colherá com que algum dia Quis alcançar os cimos elevados.
És tu a maior gloria de minha alma, Se o meu amor profundo não te alcança, De que me servirá outra esperança? Que gloria tirarei de alheia palma?