Versos Portuguese Machado de Assis Iii

Portuguese poem

Iii

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De repente, Aos ouvidos da moça enamorada Chega um surdo rumor de soltas vozes, Que ora crescendo vae, ora se apaga, Extranho, desusado. Eram... São elles, Os francezes, que vem de longes praias A cobiçar a perola mimosa, Nictheroy, na alva-azul concha nascida De suas aguas recatadas. Rege O atrevido Duclerc a flôr dos nobres, Cuja tez branca requeimára o fogo Que o vivo sol dos tropicos dardeja, E a lufada dos ventos do oceano. Cobiçam-te elles, minha terra amada, Como quando nas faixas sempre-verdes Eras envolta; e rude, inda que bello, O aspecto havias que poliu mais tarde A clara mão do tempo. Inda repetem Os ecos do reconcavo os suspiros Dos que vieram a buscar a morte, E a receberam dos varões possantes Companheiros de Estacio. A todos elles, Prole de Luso ou geração da Gallia, Captivara-os a nayade escondida, E o sol os viu travados nessa longa E sangrenta porfia, cujo premio Era teu verde, candido regaço. Triunphára o trabuco lusitano Naquele exticnto seculo. Vencido, O pavilhão francez volvera á patria, Pela agua arrastando o longo crepe De suas tristes, mortas esperanças. Que vento novo o desfraldou nos ares?