Portuguese poem
O Sofá
Oh! Como é suave os olhos Sentir de gozo cerrar, Sobre um sofá reclinado Lindos sonhos a sonhar, Sentindo de uns lábios d’anjo Um medroso murmurar!
Um sofá! Mais belo símbolo Da preguiça outro não há... Ai, que belas entrevistas Não se dão sobre um sofá, E que de beijos ardentes Muita boca aí não dá!
Um sofá! Estas violetas Murchas, secas como estão Sobre o seu sofá mimoso, Cheirosas, vivas então, Achei um dia perdidas, Perdidas: por que razão!
Talvez ardente entrevista Toda paixão, toda amor Fizesse ali esquecê-las... Quem não sabe? sem vigor Estas flores só recordam Um passado encantador!
Um sofá! Ameno sítio Para colher um troféu, Para cingir duas frontes De amor num místico véu, E entre beijos vaporosos Da terra fazer um céu!
Um sofá! Mais belo símbolo Da preguiça outro não há... Ai, que belas entrevistas Não se dão sobre um sofá, E que de beijos ardentes Muita boca aí não dá!