Portuguese poem
O Verme
Existe uma flôr que encerra Celeste orvalho e perfume. Plantou-a em fecunda terra Mão benefica de um nume.
Um verme asqueroso e feio, Gerado em lodo mortal, Busca esta flôr virginal E vai dormir-lhe no seio.
Morde, sangra, rasga e mina, Suga-lhe a vida e o alento; A flôr o calix inclina; As folhas, leva-as o vento,
Depois, nem resta o perfume Nos ares da solidão... Esta flôr é o coração, Aquelle verme o ciume.