Versos Portuguese Machado de Assis O Teatro Nacional

Portuguese poem

O Teatro Nacional

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Por sábios e poetas sublimado, Teu nome ilustre pelo orbe voa: Outra Ristóri a fama te apregoa, Outra Raquel, no português tablado.

Ao teu poder magnético, prostrado, O mais rude auditório se agrilhoa; Despir-te a fronte da imortal coroa Não pode o tempo, não consegue o fado.

De atriz o teu condão é sem segundo; Na cena, a cada instante, uma vitória Sabes das almas conquistar no fundo.

Impera, Emília! É teu domínio — a história! Teu sólio — o palco; tua corte — o mundo; Teu cetro o drama; teu diadema — a glória.

Como, sendo tu das Neves, Musa, que vieste aqui, Assim queima o peito à gente Um beijo dado por ti?!

O que na face me deste, Que acendeu-me o coração, Não foi ósculo de — neves, Foi um beijo de vulcão.

Neves — tenho eu na cabeça, Do tempo pelos vaivéns; Tu és só — Neves — no nome, Té nos lábios fogo tens.

Beijando, não és — das Neves; Do sol, Emília, tu és Como neves se derretem Os corações a teus pés.

O meu, que — neve — já era, Ao toque do beijo teu, Todo arder senti na chama, Que da face lhe desceu.

Errou, quem o sobrenome De — Neves — te pôs, atriz. Que és das lavas não das neves, Minha alma, acesa, me diz.

Chamem-te, embora, das Neves; Vesúvio te hei de eu chamar, Enquanto a impressão do beijo, Que me deste, conservar.

Oh! se de irmã esse beijo Produziu tamanho ardor, Que incêndio não promovera, Se fora um beijo de amor! ...

Não te chames mais das Neves, Mulher que abrasas assim; Chama-te antes das Luzes, E não te esqueças de mim.

Se me prometes, Emília, De hora em hora um beijo igual, Por sobre neves ou fogo Dou comigo em Portugal.