Portuguese poem
Os Semeadores[25]
(Século XVI)
Eis ahi saiu o que semêa a semear...
MATH., XIII, 3.
Vós os que hoje colheis, por esses campos largos, O doce fruto e a flôr, Acaso esquecereis os asperos e amargos Tempos do semeador?
Rude era o chão; agreste e longo aquelle dia; Comtudo, esses heroes Souberam resistir na afanosa porfia Aos temporaes e aos soes.
Poucos; mas a vontade os poucos multiplica, E a fé, e as orações Fizeram transformar a terra pobre em rica E os centos em milhões.
Nem somente o labor, mas o perigo, a fome, O frio, a descalcez, O morrer cada dia uma morte sem nome, O morrel-a, talvez,
Entre barbaras mãos, como se fora crime, Como se fora réu Quem lhe ensinára aquela ação pura e sublime De as levantar ao céu!
Ó Paulos do sertão! Que dia e que batalha! Vencestel-a; e podeis Entre as dobras dormir da secular mortalha; Vivereis, vivereis!