Portuguese poem
Revelações, de A. E. Zaluar
No cimo de um morro agreste, Por entre uns bosques sombrios, Onde conduz uma senda De emaranhados desvios, Uma casinha se vê Toda feita de sapê!
Suave estância! Parece, Circundada de verdura, Como um templo recatado No seio da espessura; Naqueles ermos tão sós Não chega do mundo a voz!
Apenas uma torrente, Que brota lá dos rochedos, Murmura galgando as penhas, Suspira entre os arvoredos! Tem ali a natureza A primitiva beleza!
Lá distante... inda se escuta Ao longe o bramir do mar! Ouvem-se as vagas frementes Nos alcantis rebentar! Aquele eterno lamento Chora nas asas do vento!
Mas na casinha, abrigada Pelos ramos das mangueiras, Protegida pelas sombras, Dos leques das bananeiras, Aquele triste clamor É como um gênio de amor!
Eu e Júlia nos perdemos Na senda, uma vez, do monte; Ao sol-posto — cor de lírio Era a barra do horizonte Toda a terra se cobria D'um véu de melancolia!
O meu braço segurava O seu corpo já pendido Às emoções, ao cansaço, Como que desfalecido. Seus olhos com que doçura Se banhavam de ternura!
Paramos no tosco ang'lo Da montanha verdejante. Era deserto. Não tinha A ninguém por habitante! Só no lar abandonadas Algumas pedras tisnadas! ......................................... .........................................