Versos Portuguese Manuel de Arriaga Á Luz

Portuguese poem

Á Luz

by (1840–1917)

Listen in the reader

Oh Luz dourada e pura! Oh Luz, irmã do Amor! Espelho e formusura Da Alma do Senhor!

Em ti eu vejo e abraço O author da creação, Soltando pelo espaço Explendida canção

Meus olhos que te admiram, Bem como a Terra e os Ceus, Ao verem-te, sentiram O proprio olhar de Deus!

O ceu, mal vens n'aurora, Mais alva que a alva lã, De purpura colora As faces de manhã!

A Terra, envolta em galas, Mais bella que as Huris, Reveste-se de opálas, De perolas e rubis!

As aves innocentes, Sentindo o teu fulgor, Gorgeiam, de contentes, Seus canticos d'amor!

Os lyrios junto ás fontes, Perdendo o teu clarão, As suas lindas fontes Inclinam-se para o chão!

Eu mesmo, se em verdade Sonhei, com Jesus, O bem da Humanidade, A Ti o devo oh Luz!

Oh candida alegria! Espirito de Deus, Que animas noite e dia A Terra, o mar, e os ceus,

Adoro-te portento!... E a Ti levando as mãos, Como ante o sacramento! Os simplices christãos!...

D'esta alma és o esteio! Que a tua essencia pura Ampare-me no meio Da minha desventura!...

E quando a morte um dia Roubar aos olhos meus, A esplendida harmonia Que formam Terra e ceus:

Seguindo prasenteiro A lei que me conduz, Meu grito derradeiro Será por ti oh Luz!