Portuguese poem
A língua dos olhos
by Manuel de Oliveira Paiva (1861–1892)
Queria dizer que te amo, Queria dizer: te adoro, Acho o teu olhar canoro Como os sons de um gaturamá.
Mas, ligeiro qual um gamo, Foge-me o verbo sonoro: Em vão os versos decoro A memória em vão reclamo:
O loquaz entusiasmo Esfria de uma lapada E faz-se um brutal marasmo.
É que a linguagem falada Tem honras de pleonasmo Ante os fulgores da olhada.