Versos Portuguese Manuel de Oliveira Paiva X (A máxima do grande Augusto Comte)

Portuguese poem

X (A máxima do grande Augusto Comte)

by (1861–1892)

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I

A máxima do grande Augusto Comte, Ou por outra, o claríssimo axioma Que diz que tudo aqui é relativo — Enquanto outro mais claro não desponte — Sempre há de ornar a vicejante coma Do humano saber, tão presuntivo. Há de ornar a fonte bela Da sempiterna donzela Que todos chamam Ciência. Como o bem e o mal agudos São alfinetes pontudos De peito com finas pérolas, Ornando as roupagens cérulas Da consciência.

Outro dia me disse o meu bom lente Que o romano poder absoluto Davam aos pais em relação aos filhos; Não suponham porém que aquela gente, Vivendo em plena orgia, dissoluto, Da verdade não visse os belos trilhos. Morte acerba e dolorosa Teve enfim alma odiosa Que matasse a geração. E que instinto feroz! De seu filho ser algoz! Não achei quem me dissesse Que algum dia tal fizesse Raivoso leão.

Agora choro eu do fundo d'alma!... As faces deste ser que chamam homem Palpitam sob as luzes de dous sóis: Se merecem da fria morte a palma Os pais que com punhais filhos consomem... Dizei-me agora aqueles que aos heróis — Que têm vida moral - Lançam estigma do mal Nas setas da maldição?... Digo eu por minha conta: Quem neste número se conta E alma torpe, relé, Deve levar pontapé Como vil cão. Se herói se chama quem a pátria sua Liberta, escravizando a pátria alheia, Porque herói não é quem obedece — Como obedece à Terra sempre a Lua — às santas impulsões que vão na veia E à cuja vista o bem não palidece?... Inda não se fez platina Que rebentasse a bolina Da barca à vela do amor. Não há flecha de tupi, Botocudo, ou guarani, Que ave do amor matasse; Nem remédio que curasse Do amor a dor.

II

Os tempos correm mal quanto a dinheiro, Por isso o nosso João achou-se em boas. Pela vaga veloz singram canoas Com bom vento, bom tempo e bom lemeiro.

Porém, feroz jaguar, tão altaneiro, Não conseguem prender no laço as boas; Vagando pelo mar tábuas à toa, Afogado não morre o marinheiro:

Ao homem forte, ao rijo coração As cousas tendem incessantemente, Obedecendo a um centro de atração:

Assim, o pardo João vive contente: Ele e Iza, um ser só, um coração; Mas — sustentando a velha — finalmente.

Até outra.