Versos Portuguese Manuel de Oliveira Paiva VII (A noite estava linda, mas escura)

Portuguese poem

VII (A noite estava linda, mas escura)

by (1861–1892)

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I

A noite estava linda, mas escura. Através das colunas elegantes Dos coqueiros, que erguem verdejantes Os zimbórios dos templos da espessura,

Uma constelação de luz fulgura: Ora descendo às ervas rastejantes, Misturadas de orvalho, cintilantes; Ora subindo às faces de candura

Das morenas gentis da Fortaleza; Ora esbarrando em férvida fogueira; Ora mostrando a extensa e lauta mesa;

Ora metida, em ar de alcoviteira, Nas cortinas de um leito de princesa, Da festa a mais bonita e mais faceira.

II

E canta-se modinhas, de permeio, Com a salva de palma estrepitosa, Gemendo o violão à mão calosa, Arrancando do peito ébrio gorjeio.

Tira-se par. Passeia-se bem cheio Por dançar co'a menina mais formosa; Mesmo porque a rosa é sempre rosa E... bem vestido, moço algum é feio.

Aqui uma viva, e mais além um bravo. Cumprimentos daqui, dali carícia... — Pulo fora daqui qualquer malícia;

Pois que! Não pode a rosa ver o cravo? — Afinal, se discute sobre escravo. Rompe estridente a música da polícia.

III

No outro dia, encontrando o meu João No Passeio, de noite, quinta-feira, Lá fui a lhe dizer alguma asneira, Uns parabéns e apertar-lhe a mão...

— Como está o Senhor? Não foi então A nossa festa, ontem, quarta-feira? — Dona Izabel, perdoe a ação grosseira, Tenho estado doente do pulmão.

Parabéns, pelo belo matrimônio, A ti, meu bom João. Sede felizes, Jamais vos chegue ao peito o estramônio.

— Conhecemos da sorte os mil matizes: De lzabel e João nunca o demônio Senhor poderá ser, mesmo infelizes...