Versos Portuguese Manuel de Oliveira Paiva VIII (E pois eu não dizia? O…)

Portuguese poem

VIII (E pois eu não dizia? O…)

by (1861–1892)

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Mariana

E pois eu não dizia? O tal mulato João É um grande patife, um grande safadão. Fugiu da terra dele, andou por toda parte Ganhando p'ra viver do fruto de sua arte.

Marciana

Fugiu!!

Mariana

E porque não!

Marciana

Cometeu algum crime? De medo estou tremendo como um frágil vime! Matou? Roubou? Feriu?

Mariana

Cousa muito pior!

Marciana

Oh pobre de lzabel! Casar c'um celerado! Que hei de fazer, meu Deus! Dizei-me por favor! Valei-me, oh santa Mãe de Deus crucificado!

Mariana

Tarde piaste mísera, desgraçada avó! Ai que não falo mais, está na garganta um nó!

Chico

Mal venho eu chegando e vejo um tal berreiro? Que quer dizer, pois, isto?

Mariana

É que o mulato João... Marido de Izabel!... fugiu do cativeiro!

Marciana

Ah!

Chico

D'onde?

Mariana

Da fazenda de um tal seu capitão, Major, ou coronel da guarda nacional, Um diabo qualquer! que reside em São Paulo.

Marciana

Mas quem lhe disse?

Mariana

Ouvi.

Marciana

De quem?

Mariana

No temporal Que desabou de tarde, a venda do Gonçalo Recebeu a dois homens desiguais na cor; Um deles era João...

Marciana

Outro...

Mariana

Um libertador, Que respondia assim ao esposo de Izabel: — Ninguém lhe aconselhou para você fugir; — Você foi se casar: pois vinho sem tonel Não se deve comprar. Enfim vou lhe servir. —

Marciana

E depois?

Mariana

Conversaram baixinho... depois Passou enfim a chuva e foram todos dois.

Havia de afinal, por cúmulo de desdita, Manchar o sangue meu aquela desgraçada! Manchaste o sangue meu, co'a tacha vil maldita Hás de ser infeliz! neta amaldiçoada!...