Versos Portuguese Manuel de Oliveira Paiva VIII (Estes meus cinco sentidos)

Portuguese poem

VIII (Estes meus cinco sentidos)

by (1861–1892)

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MOTE Estes meus cinco sentidos Eu em ti tenho empregado Porque não penses, benzinho, Que eu te trago enganado.

Glosa 1º O primeiro, que é ver Que este amor eu desejo, Para toda parte que olho Penso meu bem que te vejo.

2º O segundo que é ouvir As penas do coração, Que eu vivo considerando Se me queres bem ou não.

3.º O terceiro, que é cheirar, Meu galhinho de alecrim, Bota teu sentido ao longe, Mas não te esqueças de mim.

4.º O quarto, que é gostar, Que gosto posso eu ter? Vivo ausente de teus braços, Melhor me fora morrer.

5.º O quinto, que é apalpar, Coisa que eu nunca usei; Como te achei bunitinho, Logo de ti me engracei.

Mote Meu pensamento ligeiro Botai-me aonde eu quero, Lá junto com meu benzinho, A quem eu tanto venero.

Glosa Adeus, benzinho adorado, Adeus, firme coração, Corpinho tão delicado Se tu fores predicado, Tira-me do cativeiro Por Deus do céu verdadeiro! Eu não te vou ver, benzinho, Só se eu fosse um passarinho, Ou pensamento ligeiro.

Só se eu fosse um passarinho Para ir te visitar, Porque havia de tomar Em meia hora o caminho, Triste de mim, coitadinho! Eu com isto desespero, Pois eu te digo no sério, Morro neste sentimento, Ó meu firme pensamento Botai-me aonde eu quero. Oh, que firme pensamento! Que sorte tirana e dura! Vida de tal amargura, Daí-me um contentamento; Eu vivo neste tormento, Sou tão triste, meu benzinho! Já me ri, triste me vejo, Sem lograr o que desejo Lá junto com meu benzinho.

Sem lograr o que desejo, Vivo triste, padecendo, Já de contínuo sofrendo Amargura em que me vejo.

Não tenho temor nem pejo, Vidinha, eu te venero, Apois te digo no sério Não há mais o que dizer Quanto eu me desejo ver Mais quem eu tanto venero.