Portuguese poem
Ii
by Manuel Maria Barbosa du Bocage
Tu, próvido Lycurgo, ou quem primeiro Á vaga turba legislou dos homens, Severo alçando temeroso ferro Duro reprimes da natura os gritos; Á face mulheril, immovel d'antes, Pudibundo rubor e pejo déstes; Mas ah! não tema varonil caterva Femineo pejo, sendo eu o seu mestre. Corta o duro machado erguido tronco, Mas vejo sempre pullular vergonteas; Diques forçosos contra o mar se elevam, Mas além d'elles delphins mansos nadam. Pode mais do que as leis a Natureza, Pratica o mundo só o que ella dicta; Faz-se escondida em quanto a não descobrem; Eu subtil mestre a descobril-a ensino. Ah! não me chamem críticos austeros Dos bons costumes corruptor profano! Ah! não me mande Cesar irritado No frio Euxino a viver c'os Getas. Outra cousa não faz duro colono Com liso arado, quando rompe a terra: Dura codêa o calor nativo impede, O ferro a rasga, e o calor transpira.