Portuguese poem
Iii
by Manuel Maria Barbosa du Bocage
Vós, mancebos, correi, correi ligeiros Do Tibre ás margens ferteis, e mimosas: Tão immoveis me ouvi; mas não tão surdos; Direi primeiro como Amor se enlêa, Depois como se faz propicia Venus. Tu, oh Jove immortal, tu pae dos deuses, Sabio me inspira, que não basta Apollo. É verde louro fugitivo Daphne, Amor ingrato do queixoso Phebo: Tu, selvatico filho de Saturno, Só tu não temes desdenhosas iras: Ou chuva d'ouro a bella Danae molhas, Ou touro manso linda Europa roubas. A face mulheril formosa, e pura Cobrem de pejo avermelhadas rosas; Ou dedo juvenil destro as desfolhe, Ou calido vapor soprando as murche: Então lasciva, sem rebuço exposta Facil se entrega, sem temor se arroja: Então tu, louro Apollo, serás Daphne, A nympha fugitiva será Phebo. Apoz o bruto filho de Neptuno Correrá Galathéa os verdes mares; Assim foge de Cyrce o grego Ulysses, Assim foge de Dido o pio Enéas. Porém, primeiro, subtilmente a inflamma; Se acaso ardente, devorante fogo Torrar os bofes, consumir entranhas, Natura acode com forçoso impulso, E mais depressa se afugenta o pejo: Mais depressa o calor do sol derrete Pallida massa de esfregada cêra; Mais cedo rompe ariete forçoso Torres antigas, ruinosos muros.