Portuguese poem
Xii
by Manuel Maria Barbosa du Bocage
Oh vós, monstros crueis, geração dura! Malignas Furias com formoso aspecto! Sacerdote de Amor, agora o digo, Hoje se saiba como sois geradas. Supremo Jove, que tirou do cahos A bruta massa, de que o mundo é feito, Quando os homens formou, disse-lhes logo: «De nova especie produzi sementes; «Exista um novo sexo, em cujo seio «O nativo calor as desenvolva: «Formosa que a prazeres vos excite, «Maligno, que a um cego amor vos leve; «Os membros todos de seu corpo forme «Formosa Venus em Cythera, ou Cypro, «Ás Furias fique reservado o peito» Mancebos!… Eis aqui por quem Cupido Em subtis rêdes vos enleia todos: Mas não vos tinja rubro pejo as faces; Até por ellas foi novilho Jove. Se é tecido seu peito nos infernos É formada no céo sua cintura: Hyppolito, Narciso lições sejam, Com elles aprendei a não ser duros. Posto que incestuosa chamma queime, Devore o falso coração de Phedra, Mostrae por ella que sentís ternura: Acompanhe seu pranto o pranto vosso. Tão felices agouros vendo Tyrse, De vosso peito cego amor espera.