Portuguese poem
A Cilada
by Olavo Bilac (1865–1918)
O perfume, o silêncio, a sombra... Os ninhos Emudecem... E temos, sonhadores, A humildade das ervas nos caminhos E uma inocência de anjos entre as flores.
Mas há na tarde morna ignotos vinhos, Secretos filtros, pérfidos vapores, Amavios, feitiços e carinhos Moles, quebrados e perturbadores...
E, de repente, o incêndio dos sentidos: As mãos frias tateando na ansiedade, As bocas que se buscam num queixume,
E o corpo, o sangue, o espírito perdidos, E a febre, e os beijos... e a cumplicidade Da sombra, do silêncio, do perfume...