Portuguese poem
A Iara
by Olavo Bilac (1865–1918)
Vive dentro de mim, como num rio, Uma linda mulher, esquiva e rara, Num borbulhar de argênteos flocos, lara De cabeleira de ouro e corpo frio.
Entre as ninféias a namoro e espio: E ela, do espelho móbil da onda clara, Com os verdes olhos úmidos me encara, E oferece-me o seio alvo e macio.
Precipito-me, no ímpeto de esposo, Na desesperação da glória suma, Para a estreitar, louco de orgulho e gozo...
Mas nos meus braços a ilusão se esfuma: E a mãe-d'água, exalando um ai piedoso, Desfaz-se em mortas pérolas de espuma.