Portuguese poem
A Esfinge
by Olavo Bilac (1865–1918)
"Bem-vindo sejas à cidade de Cadmo, nosso libertador e nosso rei, que, com a tua penetração de espírito e o auxílio divino, levantaste o tributo de sangue que pagávamos à cruel Esfinge!"
(SÓFOCLES - Édipo Rei.)
Perto de Tebas, junto a um monte, sobre o Ismeno, Águia e mulher, serpente e abutre, deusa e harpia, Tapando a estrada, à espera, - aterrava e sorria O monstro sedutor, horrível e sereno:
"Devoro-te, ou decifra!" Era fascínio o aceno; A voz, morna e sensual, tinha afeto e ironia, Graça e repulsa; e a luz dos olhos escorria Fluido filtro, estilando um pérfido veneno.
Mas Édipo desvenda o enigma... Ruge em fúria O Grifo, e escarva o chão, bate contra o rochedo, Rola em vascas, em sangue ardente a areia tinge,
E fita o campeador no uivar da extrema injúria. E o Herói recua, vendo, entre esperança e medo, Rancor e compaixão no verde olhar da Esfinge.