Portuguese poem
Inocência
by Olavo Bilac (1865–1918)
Como, em vez de uma paz desiludida, Posso eu ter, nesta idade, esta confiança, Que me leva a correr a toda brida Na pista de uma sombra de esperança?
Esta velhice ingênua me intimida: Tanto ardor, tanta fé, que me não cansa, E, em mais de meio século de vida, Tanta credulidade de criança!
Rio, inocente, ao sol, como uma rosa; Ainda arquiteto mundos sobre a areia; Anoiteço em miragem luminosa.
E ainda imagino a minha taça cheia, E emborco-a: "Oh! Vida!..."; e quero-a, e acho-a formosa, Como se não soubesse quanto é feia!