Portuguese poem
Jocasta
by Olavo Bilac (1865–1918)
"Trevas espessas! eterna, horrível noite! sou dilacerado pelo espinho da dor e pela memória dos meus crimes!" (SÓFOCLES - Édipo Rei.)
Édipo vê cumprir-se o oráculo funesto: Tebas entregue, em luto, à peste que a devasta, E, sobre o trono em sânie e o leito desonesto, Morta, infâmia da terra e asco de céu, Jocasta.
Louco, vociferando, erguendo a grita e o gesto Contra os deuses, mordendo a poeira em que se arrasta, O mísero, medindo o parricídio e o incesto, Quer da vista apagar a lembrança nefasta:
Os dois olhos, às mãos, das órbitas arranca Em sangue borbotando, em lágrimas fervendo, Para o pavor matar na esmagada retina...
Mas, cego embora, - vê Jocasta hedionda, branca, Enforcada, a oscilar, como um pêndulo horrendo, Compassando, fatal, a maldição divina.