Portuguese poem
Lendo a Ilíada
by Olavo Bilac (1865–1918)
Ei-lo, o poema de assombros, céu cortado De relâmpagos, onde a alma potente De Homero vive, e vive eternizado O espantoso poder da argiva gente.
Arde Tróia... De rastos passa atado O herói ao carro do rival, e, ardente, Bate o sol sobre um mar ilimitado De capacetes e de sangue quente.
Mais que as armas, porém, mais que a batalha Mais que os incêndios, brilha o amor que ateia O ódio e entre os povos a discórdia espalha:
- Esse amor que ora ativa, ora asserena A guerra, e o heróico Páris encadeia Aos curvos seios da formosa Helena.