Portuguese poem
Jesus
by Olavo Bilac (1865–1918)
Mas sempre sofrerás neste vale medonho... Que importa? Redentor e mártir voluntário, Para a tua miséria um reino imaginário Invento, glória e paz num futuro risonho.
Para te consolar, no opróbrio do Calvário, Hóstia e vítima, a carne, o sangue e a alma deponho: Nasce da minha morte a vida do teu sonho, E todo o choro humano embebe o meu sudário.
Só liberta a renúncia. Ó triste! a sombra imensa Dos braços desta cruz espalha sobre o mundo A utopia celeste, orvalho ao teu suplício.
Sou a misericórdia ilusória da crença: Sobre a força, a fraqueza; e, sobre o amor fecundo, A piedade sem glória e o inútil sacrifício!