Portuguese poem
No Cárcere
by Olavo Bilac (1865–1918)
Por que hei de, em tudo quanto vejo, vê-la? Por que hei de eterna assim reproduzida Vê-la na água do mar, na luz da estrela, Na nuvem de ouro e na palmeira erguida?
Fosse possível ser a imagem dela Depois de tantas mágoas esquecida!... Pois acaso será, para esquecê-la, Mister e força que me deixe a vida?
Negra lembrança do passado! lento Martírio, lento e atroz! Por que não há de Ser dado a toda a mágoa o esquecimento?
Por quê? Quem me encadeia sem piedade No cárcere sem luz deste tormento, Com os pesados grilhões desta saudade?