Portuguese poem
No Tronco de Goa
by Olavo Bilac (1865–1918)
Camões sofre, na infâmia da clausura, Pária sem honra, náufrago sem nome; E rala, na saudade que o consome, O pobre peito contra a pedra dura.
O seu gênio ilumina a abjeta lura... Mas a vida das carnes se lhe some: Míngua de pão, e, outra mais negra fome, Indigência de beijos e ventura.
Do próprio fel, dos íntimos venenos, Faz a glória da pátria e a luz da raça; E chora, na ignomínia. Mas, ao menos,
Possui, na mesquinhez da terra crassa E na vergonha de homens tão pequenos, O orgulho de ser grande na desgraça.