Portuguese poem
No Limiar da Morte
by Olavo Bilac (1865–1918)
Grande lascivo! espera-te a voluptuosidade do nada. (Machado de Assis, Brás Cubas.)
Engelhadas as faces, os cabelos Brancos, ferido, chegas da jornada; Revês da infância os dias; e, ao revê-los, Que fundas mágoas na alma lacerada!
Paras. Palpas a treva em torno. Os gelos Da velhice te cercam. Vês a estrada Negra, cheia de sombras, povoada De atros espectros e de pesadelos...
Tu, que amaste e sofreste, agora os passos Para meu lado moves. Alma em prantos, Deixas os ódios do mundano inferno...
Vem! que enfim gozarás entre meus braços Toda a volúpia, todos os encantos, Toda a delícia do repouso eterno!