Portuguese poem
O Avô
by Olavo Bilac (1865–1918)
Este, que, desde a sua mocidade, Penou, suou, sofreu, cavando a terra, Foi robusto e valente, e, em outra idade, Servindo à Pátria, conheceu a guerra. Combateu, viu a morte, e foi ferido; E, abandonando a carabina e a espada, Veio, depois do seu dever cumprido, Tratar das terras, e empunhar a enxada. Hoje, a custo somente move os passos... Tem os cabelos brancos; não tem dentes... Porém remoça, quando tem nos braços Os dois netos queridos e inocentes. Conta-lhes os seus anos de alegria, Os dias de perigos e de glórias, As bandeiras voando, a artilharia Retumbando, e as batalhas, e as vitórias... E fica alegre quando vê que os netos, Ouvindo-o, e vendo-o, e lhe invejando a sorte, Batem palmas, extáticos, e inquietos, Amando a Pátria sem temer a morte!