Portuguese poem
O Cometa
by Olavo Bilac (1865–1918)
Um cometa passava... Em luz, na penedia, Na erva, no inseto, em tudo uma alma rebrilhava; Entregava-se ao sol a terra, como escrava: Ferviam sangue e seiva. E o cometa fugia...
Assolavam a terra o terremoto, a lava, A água, o ciclone, a guerra, a fome, a epidemia; Mas renascia o amor, o orgulho revivia, Passavam religiões... E o cometa passava,
E fugia, riçando a ígnea cauda flava. Fenecia uma raça; a solidão bravia Povoava-se outra vez. E o cometa voltava...
Escoava-se o tropel das eras, dia a dia: E tudo, desde a pedra ao homem, proclamava A sua eternidade! E o cometa sorria...