Portuguese poem
O Credo
by Olavo Bilac (1865–1918)
Crê no Dever e na Virtude! É um combate insano e rude A vida, em que tu vais entrar. Mas, sendo bom, com esse escudo, Serás feliz, vencerás tudo: Quem nasce, vem para lutar. E crê na Pátria! Inda que a vejas, Preza de idéias malfazejas, Em qualquer época, infeliz, — Não a abandones! porque a Glória Inda hás de ver numa vitória Mudar cada uma cicatriz. E crê no bem! inda que, um dia, No desespero e na agonia, Mais desgraçado que ninguém, Te vejas pobre e injuriado, De toda a gente desprezado, — Perdoa o mal! E crê no Bem! E crê no Amor! Se pode a guerra Cobrir de sangue toda a terra, Levando a tudo a assolação, — Mais pode, límpida e sublime, Caindo sobre um grande crime Uma palavra de perdão!