Versos Portuguese Olavo Bilac O Crepúsculo da Beleza

Portuguese poem

O Crepúsculo da Beleza

by (1865–1918)

Listen in the reader

Vê-se no espelho; e vê, pela janela, A dolorosa angústia vespertina: Pálido, morre o sol... Mas, ai! termina Outra tarde mais triste, dentro dela;

Outra queda mais funda lhe revela O aço feroz, e o horror de outra ruína: Rouba-lhe a idade, pérfida e assassina, Mais do que a vida, o orgulho de ser bela!

Fios de prata... Rugas... O desgosto Enche-a de sombras, como a sufocá-la Numa noite que aí vem... E no seu rosto

Uma lágrima trêmula resvala, Trêmula, a cintilar, - como, ao sol posto, Uma primeira estrela em céu de opala...