Portuguese poem
O Crepúsculo dos Deuses
by Olavo Bilac (1865–1918)
Fulge em nuvens, no poente, o Olimpo. O céu delira. Os deuses rugem. Entre incêndios de ouro e gemas, Há torrentes de sangue, hecatombes supremas, Heróis rojando ao chão, troféus ardendo em pira,
Ilíadas, bulcões de gládios e díademas, Ossa e Pélio tombando, e Zeus em raios de ira, E Acrópoles em fogo, e Homero erguendo a lira Em reverberações de batalhas e poemas...
Mas o vento, embocando as bramidoras trompas, Clangora. Rolam no ar, de roldão, num tumulto, Os numes e os titãs, varridos à rajada:
E ódio, furor, tropel, fastígio, glória, pompas, Chamas, o Olimpo, - tudo esbate-se, sepulto Em cinza, em crepe, em fumo, em sonho, em noite, em nada.