Portuguese poem
O Incêndio de Roma
by Olavo Bilac (1865–1918)
Raiva o incêndio. A ruir, soltas, desconjuntadas, As muralhas de pedra, o espaço adormecido De eco em eco acordando ao medonho estampido, Como a um sopro fatal, rolam esfaceladas.
E os templos, os museus, o Capitólio erguido Em mármor frígio, o Foro, as erectas arcadas Dos aquedutos, tudo as garras inflamadas Do incêndio cingem, tudo esbroa-se partido.
Longe, reverberando o clarão purpurino, Arde em chamas o Tibre e acende-se o horizonte... - Impassível, porém, no alto do Palatino,
Neto, com o manto grego ondeando ao ombro, assoma Entre os libertos, e ébrio, engrinaldada a fronte, Lira em punho, celebra a destruição de Roma.