Portuguese poem
Numa Concha
by Olavo Bilac (1865–1918)
Pudesse eu ser a concha nacarada, Que, entre os corais e as algas, a infinita Mansão do oceano habita, E dorme reclinada No fofo leito das areias de ouro... Fosse eu a concha e, ó pérola marinha! Tu fosses o meu único tesouro, Minha, somente minha!
Ah! com que amor, no ondeante Regaço da água transparente e clara, Com que volúpia, filha, com que anseio Eu as valvas de nácar apertara, Para guardar-te toda palpitante No fundo de meu seio!