Portuguese poem
O Soldado e a Trombeta
by Olavo Bilac (1865–1918)
Um velho soldado Um dia por terra A espada atirou;
Da guerra cansado, Com nojo da guerra. As armas quebrou.
Entre elas estava Trombeta esquecida: Era ela que no ar
Os toques soltava, E à luta renhida Tocava a avançar.
E disse: “Meu dono, É justo que a espada Tu quebres assim!
Mas que, no abandono, Fique eu sossegada! Não quebres a mim!
Cantei tão somente... Não sejas ingrato Comigo também!
Eu sou inocente: Não piso, não mato, Não firo a ninguém...
Nas horas da luta Alegre ficavas, Ouvindo o meu som.
Atende-me! escuta! Se então me estimavas, Agora sê bom!”
E o velho guerreiro Lhe disse: “Maldita! Prepara-te! sús!
Teu som zombeteiro As gentes excita, À guerra conduz!”
Terrível, irado, Jogou-a por terra, Sem dó a quebrou...
E o velho soldado, Cansado da guerra Por fim repousou.