Portuguese poem
Palavras
by Olavo Bilac (1865–1918)
As palavras do amor expiram como os versos, Com que adoço a amargura e embalo o pensamento: Vagos clarões, vapor de perfumes dispersos, Vidas que não têm vida, existências que invento;
Esplendor cedo morto, ânsia breve, universos De pó, que um sopro espalha ao torvelim do vento, Raios de sol, no oceano entre as águas imersos, - As palavras da fé vivem num só momento...
Mas as palavras más, as do ódio e do despeito, O "não!" que desengana, o "nunca!" que alucina, E as do aleive, em baldões, e as da mofa, em risadas,
Abrasam-nos o ouvido e entram-nos pelo peito: Ficam no coração, numa inércia assassina, Imóveis e imortais, como pedras geladas.