Portuguese poem
Os Sinos
by Olavo Bilac (1865–1918)
Plangei, sinos! A terra ao nosso amor não basta... Cansados de ânsias vis e de ambições ferozes, Ardemos numa louca aspiração mais casta, Para trasmigrações, para metempsicoses!
Cantai, sinos! Daqui por onde o horror se arrasta, Campas de rebeliões, bronzes de apoteoses, Badalai, bimbalhai, tocai à esfera vasta! Levai os nossos ais rolando em vossas vozes!
Em repiques de febre, em dobres a finados, Em rebates de angústia, ó carrilhões, dos cimos Tangei! Torres da fé, vibrai os nossos brados!
Dizei, sinos da terra, em clamores supremos, Toda a nossa tortura aos astros de onde vimos, Toda a nossa esperança aos astros aonde iremos!