Portuguese poem
Os Monstros
by Olavo Bilac (1865–1918)
Não me perdi numa ilusão... Perdi-me Na existência, entre os homens. E encontrei-os, Vivos, bem vivos! - estes monstros feios, Cujo peso afrontoso a terra oprime.
Mas há monstros no bem, como no crime: Outros houve, que em hinos e gorjeios Talvez viveram e morreram, cheios De extrema formosura e ardor sublime.
Ah! no dia da cólera tremenda, Os monstros bons, agora fugitivos Desta míngua de fé que nos infama,
Ressurgirão no epílogo da lenda: Os mortos voltarão varrendo os vivos, E os maus se afogarão na própria lama!