Portuguese poem
Os Rios
by Olavo Bilac (1865–1918)
Magoados, ao crepúsculo dormente, Ora em rebojos galopantes, ora Em desmaios de pena e de demora, Rios, chorais amarguradamente,
Desejais regressar... Mas, leito em fora, Correis... E misturais pela corrente Um desejo e uma angústia, entre a nascente De onde vindes, e a foz que vos devora.
Sofreis da pressa, e, a um tempo, da lembrança. Pois no vosso clamor, que a sombra invade, No vosso pranto, que no mar se lança,
Rios tristes! agita-se a ansiedade De todos os que vivem de esperança, De todos os que morrem de saudade...