Versos Portuguese Pedro de Calasans O Brazil

Portuguese poem

O Brazil

by (1837–1874)

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De perlas, saphyras, de mil esmeraldas, De ricos brilhantes a fronte engrinaldas, Gigante, orgulhoso, soberbo Brasil. Na historia dos povos teu nome escreveste, Mil palmas e louros, na infancia, colheste, Colheste-os com gloria, batendo o fusil.

De lindas estrellas, de luzes brilhantes Teu céo é bordado ; subtis, cambiantes Destendem-se as nuvens ligeiras no ar ; E as luas formosas de pallidos lumes, E as flores e os dias e os gratos perfumes São mimos, que a Europa bem pode invejar.

Teus bosques frondentes, teus campos e montes, E os mares e os rios, regatos e fontes, São verbos, são phrases, que dizem—valor—. Não durmas, não tremas, nem curves o cóllo, Que a turba, que passa por sobre o teu sólo, São livres, são moços da edade na flor.

Não és tu a patria dos grandes Andradas Na voz de tribunos plantando as cruzadas Em prol dos teus fóros negados em vão ? Não és o guerreiro, que as hostes imigas, Na guerra amestradas, sem custo profligas, Vencendo os valentes de Ormuz e Ceylão ?

Imperio orgulhoso; soberbo e gigante, Não pares, caminha, caminha adiante, Com os olhos no Throno cercado de luz, Não durmas, nem tremas, não curves o cóllo, Que a turba, que passa por sobre o seu sólo, São fortes, são livres, são filhos da Cruz.

E tu, Mocidade, phalange animada, Que fazes o encanto da patria adorada, Que além te reserva brilhante porvir; Consagra os teus dias, teus hymnos à gloria Da terra dos bravos de eterna memoria, Que a fronte de louros terás de cingir.

Não vês que rutila por sobre as montanhas O sol de setembro de glorias tamanhas, Mostrando a alvorada de um bello existir? Não ouves no pico das serras o grito Maior do que as molles vetustas do Egypto, Maior do que o mundo, maior que o porvir?

E o echo das serras proclama a verdade, Que o filho das mattas bradou—liberdade !— Do Prata ao Amazonas retumba essa voz. Quebraram-se os élos da injusta cadeia, São livres os povos, domina-os a idéa, Mimoso legado de nossos avós !

E os labios dos bravos, ardentes de gloria, Prorompem nos hymnos da excelsa victoria, Que os filhos de Lisia fizeram tremer !

São livres os povos ! fluctua a bandeira, Que as filas cobrira da gente guerreira, Que tinha por norte :—ser livre ou morrer !

Sejamos unidos, mais fortes seremos : Dos livres vergentes, si livres nascemos, Das sacras reliquias guardemos a lei. Brazil ! minha patria, serás sempre grande, Pois guia-te um Pedro, maior que Alexandre, Governa-te um sabio, que é mais do que um rei !